I Peregrinação Nacional da Pastoral Penitenciária

5/09/2016

Testemunho

2016-01Todos os estabelecimentos prisionais foram convocados a estarem presentes na

I Peregrinação Nacional da Pastoral penitenciária.

A representar o Est. Prisional de Elvas estivemos 4 voluntários do projeto “Mateus 25”, que o MTA desenvolve no estabelecimento, e um ex-recluso com a sua família. Os outros reclusos do EPE, não reuniam as condições de puderem participar, mas eu levava-os a todos no coração, para os colocar no regaço da Virgem de Fátima, Mãe de Misericórdia.

Esta peregrinação, estava integrada nas actividades do Ano Jubilar da Misericórdia, que o papa Francisco alargou, também, aos estabelecimentos prisionais para que “as reclusas e os reclusos privados da liberdade física pudessem deixar-se abraçar pela Misericórdia de Deus e obtivessem a indulgência e o perdão de Deus, que não exclui ninguém do seu Amor”

 

            Embora no dia 8 de Abril passado, com a presença do Arcebispo da diocese, D. José Francisco Alves, já tivéssemos celebrado o Jubileu da Misericórdia na cadeia de Elvas, participar neste peregrinação nacional, ajudou-me a tomar consciência, mais uma vez, do papel que a Igreja tem junto destes irmãos reclusos, ajudando-os a cumprir a sua pena com dignidade e responsabilidade, conscientes de que não está tudo perdido, que a Esperança e a Alegria são possíveis pois, citando novamente o Papa Francisco, “Deus perdoa tudo, e oferece sempre uma nova oportunidade a todos, infunde a sua Misericórdia a todos os que a peçam

2016-02            Ter ido a Fátima, com todos os meus irmãos e irmãs reclusas no coração, ajudou-me a rever também as oportunidades da Misericórdia infinita de Deus, que experimento na minha vida, o quanto Ele é Misericordioso, cheio de Bondade e Fidelidade para comigo, e por isso, não posso deixar de anunciar esta Misericórdia, sendo “Oásis de Paz e Amor, junto destes irmãos que vivem na periferia da reclusão.

            Quando entrei pela “Porta Santa”, na Basílica da Santíssima Trindade, entraram comigo todos os reclusos e reclusas que trago no coração, no Ofertório da Eucaristia, presidida por D. Joaquim Mendes, da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade humana e concelebrada por capelães da Cadeia, coloquei no pão e no vinho todas as pessoas privadas da liberdade física, para que se deixem tocar pelo coração misericordioso de Deus, que sempre ama e sempre perdoa. Na capelinha das aparições, na oração de despedida, entreguei a Maria, Mãe de Misericórdia, todos os seus filhos feridos, magoados e tantas vezes desesperados, para que encontrem, em todos nós, envolvidos na pastoral penitenciária, o rosto da bondade infinita de Deus, que nos chamou à Liberdade e para anunciar a Liberdade “aos pobres e prisioneiros”

            Está de Parabéns o Santuário de Fátima pela forma gratuita como nos acolheu, oferecendo a todos (voluntários, reclusos e ex-reclusos) um bom almoço e um terço do centenário das aparições para que oração seja força e luz nos nossos caminhos de pastoral penitenciária.

Terminado o dia regressei a Elvas e ecoava mais forte no meu coração o “ME” de Mateus 25. “Estava preso e visitaste-ME

 

 

 Maria de Fátima Salgado Magalhães stj