Um mês na Escola do Coração de Jesus

01"Aprendei de MIM"
A humildade...

Em linguagem bem portuguesa e bem popular, o coração é o símbolo natural do amor. Não porque este órgão físico produza o amor, mas porque no coração repercute, de modo maravilhoso, toda a gama de manifestações afetivas que, em nós, está relacionada com o amor.

Neste mês do "Coração de Jesus", ao falarmos do coração, referido a Cristo, entendemos a própria Pessoa de Jesus, no seu aspeto mais nobre, mais atraente para nós: o AMOR, síntese e foco unificador de toda a vida, de toda a obra e de toda a Pessoa de Jesus.

Ao celebrarmos, no mês de junho, o "Coração de Jesus" não o fazemos por piedosa devoção mas para penetrar na Espiritualidade mais profunda do Verbo de Deus feito homem: a gratuidade na entrega: o amor oblativo do próprio Deus.

Mas há um segredo para chegarmos à plenitude do Amor.

Jesus ao revelar-se como nosso Mestre ensina-nos que o degrau para chegar ao Amor é a humildade: "Aprendei de MIM que sou manso e humilde do Coração".

 Santo Henrique de Ossó propõe-nos na Novena do Coração de Jesus, na meditação do primeiro dia, a humildade como virtude essencial, a aprender de Jesus para vivermos no Amor. "Na humildade está todo o segredo da vida de Cristo, do seu Reino e da sua Glória" diz-nos Santo Henrique. Os passos da vida de Cristo são um mapa dos caminhos da humildade que Ele assumiu.

02Porque nos propõe Santo Henrique a humildade como base de todo o caminho de santidade?

Diz-nos ele:

"É porque como disse Jesus a Santa Teresa a humildade é a verdade e andar em humildade é andar na verdade. E Deus não é apenas a suma verdade mas o Deus da verdade. Por isso ama tanto a humildade e nada nem ninguém pode agradar a Deus se não ama a verdade e, portanto, a humildade...

A humildade é o distintivo de todos os santos"

Para Jesus a humildade vai à frente no caminho de todas as virtudes. Recomendou a castidade, a obediência, a caridade, a mansidão mas a humildade está à frente de todas elas porque nos conduz à verdade, ao próprio Deus. Quem é humilde depressa descobre a bondade, a misericórdia, a compaixão, a ternura, o Amor. Quem é humilde confia e abandona-se em Deus, porque sabe que todo o bem que fazemos é obra do seu Espírito em nós.

Diz-nos de novo Santo Henrique:

"Toda a vida de Cristo é uma prática da humildade. Todos os passos pelos caminhos da Galileia, desde a infância até à cruz, são um verdadeiro mapa dos lugares da humildade. Jesus oculta sempre a sua divindade escondendo-se na sua humanidade e, no sacramento da Eucaristia, a sua humanidade esconde-se sob as espécies de pão e de vinho"

O que nos quer ensinar Jesus com tudo isto?
Quem quiser amar e servir ao jeito de Jesus deve fazê-lo de forma simples, desinteressada, confiante apenas "na bondade de Deus que nunca falta aos seus amigos" E isto não se faz sem a humildade, que nos faz reconhecer que todo e bem que realizamos é dom de Deus e não produto nosso. Só Jesus é bom, só Jesus é Mestre. E nada melhor para aprender d'Ele do que penetrar no mais profundo do ser de Cristo e aí viver e aí aprender. Escutemos de novo Santo Henrique:

03"Vinde ao coração de Cristo que é o único e verdadeiro Salvador. Entrai e habitai neste lugar de Refúgio de Paz e de Amor. Amai-vos uns aos outros como irmãos como Jesus ama...Vivei da sua vida. Vivei de Deus".

Parece-me que aí está o nosso desafio, para o dia a dia de nossa vida. Viver no Coração de Cristo é penetrar nos mistérios insondáveis do seu Amor. Parece-me ser o caminho para aqueles que decidimos dar toda a nossa vida numa espiritualidade do Coração de Jesus. Viver no coração de Cristo é viver inflamados no seu Amor e desde esse Amor gratuito sentir as necessidades, os sofrimentos e as alegrias dos outros como nossas, e ir ao encontro de todos, sem medo dos riscos e sem receio de dar tudo. Não combina com uma espiritualidade do Coração de Jesus viver "a meio gás" ou vivermos a fazer cálculos de dar e receber. A medida do amor é amar sem medida e viver na espiritualidade do Coração de Jesus é "viver como Ele, pensar como Ele, sentir como Ele e amar como Ele".

E como tantas vezes repetia Santo Henrique: " fazer sempre tudo por Jesus"

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Maria de Fátima Magalhães stj