Encontro Das Equipas De Governo

tortosa(15)Reunimo-nos na Casa de Espiritualidade de Tortosa, na "Casa do Padre", as Irmãs da Equipa Geral e as Equipas Provinciais das seis províncias da Europa, de 23 a 30 de junho de 2012.

O encontro teve como objetivo descobrir JUNTAS o que podemos impulsionar para que se multiplique a VIDA e a Companhia possa oferecer um melhor serviço à Europa. Servimo-nos do Documento Capitular e o caminho conjunto iniciado nos sexénios anteriores.

Iniciámos o trabalho no dia 23, com as palavras da Irmã Asunción Codes, Coordenadora Geral. Agradeceu-nos o serviço que cada uma de nós realiza na Companhia e convidou-nos a enriquecer entre todas o significado e as consequências de viver em MESA PARTILHADA, sem teorizar o seu significado, exortando-nos a fazer a experiência de nos sentarmos nas diferentes "mesas" que o Senhor nos prepara no dia a dia, com a liberdade com que o fez Jesus, deixando que esta experiência transforme os nossos esquemas e nos abra a novos esquemas de relação.

Apresentou três ideias fundamentais:

1. "FELIZ AQUELE QUE TOMA PARTE NO BANQUETE DO REINO." Lc 14, 16-23. Participar na mesma mesa é sinal de comunhão, de pertença. A este banquete TODOS estão convidados, nele TUDO ESTÁ PREPARADO porque chegou a hora do Reino de Deus, contudo os convidados não aceitam o convite. Publicanos e pecadores os que nada temiam, estavam completamente livres, souberam ESCUTAR E RESPONDER ao convite.

2. JESUS CONVIDA À MESA PREPARADA NA REALIDADE QUE VIVE A EUROPA. A Europa vive numa crise económica e de valores muito forte, onde convivem e negociam as potências fortes e as débeis, onde se abre um fosso cada vez maior entre ricos e pobres e muito pobres. No meio desta realidade estamos nós, querendo implicar-nos compassivamente nesta realidade, experimentando as dificuldades e a falta de recursos para servir mais e melhor.

3. NÓS ACOLHEMOS O SEU CONVITE.

- A renovar a nossa fé no valor profético de viver em comunidade como seguidoras de Jesus. Ser felizes e partilhar esta felicidade no meio de contextos de dor e de morte.

- A "cuidar o corpo congregacional" impulsionando uma reorganização geradora de vida que nos comprometa a partilhar o nosso caudal.

- A sentar-nos à mesa do carisma teresiano de Henrique de Ossó vivido em família. Viver o carisma em família significa partilhar a nossa herança espiritual e participar numa consciência comum de servir o Evangelho, oferecendo cada um a sua forma peculiar de captar e encarnar o dom carismático.

Terminou com as palavras de Teresa a Maria de São José: "Falemos, irmãs, a partir da vida que vivemos, porque assim nos pede a missão que levamos entre mãos e o amor mútuo que temos umas às outras.

No dia 23 abordámos o seguinte tema: VAMO-NOS SENTANDO EM MESA PARTILHADA. Orientou o trabalho a Irmã Cristina Martínez. A oração inicial foi baseada na observação de um dos quadros de Sieger Köder sobre a mesa partilhada, formada por personagens distintos, com os quais nos fomos identificando de algum modo, até deter-nos no significado das palavras de Jesus: "comei e bebei porque é o meu corpo e o meu sangue entregue por vós..."

Com o documento capitular procurámos detetar que fontes de energia ele nos oferece e de que forma se evidencia nas nossas planificações provinciais e que fontes de energia necessitamos. Em dinâmica participativa escrevemos cada uma numa toalha de papel o resultado da reflexão que depois foi sintetizada no grupo para ser partilhada na assembleia.

Pela tarde foram convidadas várias pessoas que nos ofereceram OUTRO OLHAR SOBRE O DOCUMENTO CAPITULAR. Eduard Salas, leigo comprometido num movimento claretiano, disse-nos que o nosso documento faz um bom diagnóstico da realidade e nos ajuda a "recolocar" o nosso objetivo para não seguir correndo por inércia, visto ter mudado a realidade que nos circunda, convidou-nos ainda a acolher sobretudo os mais pobres, os mais pequenos. Terminou com a frase de Casaldáliga: É tarde mas é a nossa hora; é amanhecer se insistimos um pouco."

Luis Serra, marista, ofereceu-nos uma interessante análise estrutural, terminológica, bíblica e de conteúdos sobre o nosso Documento. Vê um documento vital, arrojado, conduzindo-nos ao compromisso. Afirmou estar na linha dos Capítulos anteriores. Nele estão explícitas as prioridades de Jesus: a pessoa, humildade frente ao poder, interesses do Reino perante os próprios interesses... Preocupação social. Universalidade do carisma e o desejo de o partilhar com os leigos... Convidou-nos a clarificar o conteúdo que damos ao Banquete do Reino e a situar bem o espaço eclesial da vida consagrada na Igreja. Luís António Gracia, irmão de Companhia, valorizou muito o documento, desejando que a Companhia fosse uma mesa partilhada, um banquete do Reino. Meritxell Braulat, jovem, leiga comprometida, como crente sentia-se incluída na espiritualidade do Documento. Para ela é um documento muito evangélico. Chamou a atenção a certos pontos que considerou pertinentes: mesa partilhada, porque sentar-nos juntos é amar-nos e reconhecermo-nos iguais; à releitura da realidade que apresenta o documento; a chamada à "interrelação", à escuta do grito dos jovens.

Terminámos o dia com a Eucaristia que partilhámos com as pessoas que nos acompanharam, ampliando assim a nossa mesa.

No dia 24 celebrámos a festa da Beata Mercedes Prat e o santo da Irmã Cristina Martínez. Neste dia refletimos no seguinte tema: ACREDITANDO NO VALOR PROFÉTICO DO NOSSO VIVER EM COMUNIDADE. A Irmã Ángeles Muñiz orientou a oração e o trabalho do dia e apresentou-nos os diversos convidados que participariam nas nossas mesas durante todo o dia: uma religiosa carmelita de Vedruna, duas da Consolação, um marianista e um jesuíta. Dedicámos a manhã à leitura orante da vida e da Bíblia, referente ao tema comunitário. Fizemos memória do nosso processo pessoal, partilhamo-lo em grupo e dialogámos sobre as comunidades. Escutámos o Evangelho de S. Mateus, capítulo 18. Rezámos e partilhámos, tendo em conta a atitude de Jesus perante os pequenos e os valores que propõe para a convivência.

Pela tarde, Teresa de Jesus iluminou a nossa vivência comunitária e tivemos uma leitura orante teresiana. Partimos da realidade comunitária das nossas províncias e escutámos a Teresa que nos falou de relações comunitárias no capítulo 7 do Caminho de Perfeição. Partilhámos as luzes que pudessem ajudar-nos a viver o que nos propõe o Capítulo Geral.

De seguida, a Irmã Giselle, apresentou-nos diferentes propostas para preparar o V CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SANTA TERESA. Depois do jantar, José EIzaguirre, marianista, contou-nos a experiência de JPIC (Justiça, Paz, Integração da Criação) na sua congregação.

Vivemos o dia 25 em FAMÍLIA TERESIANA: JUNTAS/JUNTOS DESDE AS NOSSAS IDENTIDADES. Acompanharam-nos muitos e mui variados membros da Família Teresiana: antigos alunos, membros do MTA, professores... A nossa leitura orante baseou-se na parábola do grão de mostarda – assim denominamos a família teresiana. Cada uma através de um desenho ou de uma frase expressou como é e como poderá ser a vivência do carisma com ou sem a família teresiana. Seguiu-se de imediato a partilha no grande grupo. De seguida várias pessoas partilharam connosco a sua experiência como membros das diversas famílias onde estão incorporados.

Françesc Riu, salesiano, falou-nos da carta de identidade da família salesiana, da diversidade de associações que a formam com distintos graus de vinculação, a necessidade de que todos tenham um grau suficiente de formação no espírito de D. Bosco e o reconhecimento do Reitor maior como garantia do carisma. Carmen Barrera, leiga responsável do movimento da congregação Jesus Maria, falou-nos da vocação laical. A sua organização está muito vinculada à Congregação religiosa, com uns estatutos e um manual de funções bastante estruturado.

Pela tarde, fizemos a leitura orante sobre a relação de Teresa de Jesus com Dª Guiomar de Ulloa. Seguiu-se a partilha da vivência da oração e da reflexão feita pela manhã. Concluímos segundo o texto rezado e refletido que Teresa seleciona com liberdade as suas amizades e juntas fazem realidade a reforma.

A confraternizar connosco ao jantar além das pessoas que estiveram durante a manhã, tivemos a presença da "alcaldesa" de Vinebre e o sobrinho do nosso Padre, José Maria Pros que mostrou com muito entusiasmo o relógio do tio. Durante o jantar contou algumas anedotas da sua família relacionadas com o nosso Padre.

Terminámos o dia com uma reflexão sobre a mulher orientada pela Irmã Giselle. Verificámos mais uma vez a necessidade de pôr intencionalidade na educação para a reciprocidade, lutar pela igualdade de oportunidades, formar a mulher para distintas responsabilidades...

Dedicámos a manhã do dia 26 a SITUAR-NOS DO LADO DOS EMPOBRECIDOS E EXCLUÍDOS DEIXANDO-NOS TRANSFORMAR POR ELES E ELAS. Para a leitura orante servimo-nos do evangelho do nascimento de Jesus que nos fala da sua origem marginal. Partilhámos a reflexão e experiências. Perguntamo-nos o que significa para cada uma de nós a crise da Europa e como estamos a responder congregacionalmente.

Pela tarde, dialogámos sobre o CHAMAMENTO CARISMÁTICO A CAMINHAR COM OS/AS JOVENS. Uma ex-aluna de Sevilha, do MTA, e um colaborador do Centro Saó – Cristina e Jordi – comentaram como ajudam aos jovens, atendendo a suas necessidades e inquietações. De seguida, convidamos a Cata e a Marcelo, teresiana e marista, fundadores da obra Saó-Prat, a apresentarem a sua origem, objetivo e o trabalho que realizam. Disfrutamos o sentido educativo realçado em tudo o que realizam. Tivemos um plenário muito rico e esclarecedor.

A Irmã Giselle terminou o dia informando-nos dos preparativos para a JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE que se celebrará no Rio de Janeiro, do dia 23 a 28 de julho de 2013.

O dia 27 foi um dia de DESCANSO e de CONVÍVIO. Visitámos a cidade de Tarragona. O Sr. Ramón Giner, antigo presidente do AMPA do colégio teresiano de Tarragona preparou a visita com todos os detalhes. Um guia turístico conduziu-nos pelos monumentos da antiga Tarraco romana, capital da Hispania Citerior. Visitámos o circo, o anfiteatro, a prefeitura...; passámos depois à Tarragona medieval e entrámos na catedral, na casa do deão, etc. Percorremos as ruas onde se encontravam as várias casas que nos falaram das origens da Companhia como a Bajada del Patriarca, Escrivanías "viejas", Caballeros. Admirámos os edifícios onde estiveram as nossas irmãs antes de construir o atual colégio. Comemos num restaurante que foi o último colégio alugado na cidade antes da construção do colégio da Companhia. No final da comida o Sr Giner apresentou-nos através de um powerpoint a presença das Teresianas nos diversos lugares de Tarragona.

A partir deste momento, entrámos na segunda etapa do nosso encontro. A dinâmica alterou-se. Nos dias 28 e 29 ESCUTAMOS O ESSENCIAL E DISCERNIMOS PROCESSOS E PROJETOS CONJUNTOS DE VIDA-MISSÃO NA EUROPA.

Começámos o dia com uma oração. Como os discípulos no cenáculo, preparámos juntas a mesa. Celebrámos o esforço e a alegria que supõe a busca conjunta.

Após a oração, dedicámos um tempo de busca em discernimento, dispondo-nos a eleger o que Deus quer mostrar-nos como o melhor para nós, acolhendo o nosso momento atual como tempo oportuno para Deus...

Tivemos como pano de fundo o artigo 9 das Constituições, concretizámos a nossa reflexão em dois aspetos: o que é o essencial e irrenunciável que pode gerar vida e seja ajuda para prestar um melhor serviço, e que aspetos do nosso projeto de vida-missão devem reforçar-se conjuntamente. Problemáticas comuns que pedem respostas globais. O plenário foi riquíssimo e ofereceu muita luz aos grupos. Houve coincidência na necessidade de traçar conjuntamente o projeto de missão na Europa e fazer experiência de caminho partilhado com o apoio do governo geral.

O trabalho do dia 29 começou com a reflexão sobre a própria Província, como pôr em ação os processos interprovinciais, que acompanhamento necessitamos do governo geral e que pontos ou situações julgamos que requerem maior atenção.

A Irmã Giselle falou-nos da preparação do Encontro Internacional da família Teresiana e a Irmã Gemma Bel apresentou-nos o projeto IDEO – investigação, interpretação, difusão da espiritualidade de Enrique de Ossó que se vai desenvolver na casa de Espiritualidade de Tortosa.

No dia 30 tivemos uma reflexão sobre OUTROS ACORDOS CAPITUALRES. Não podia faltar, para começar o dia, a oração junto à arqueta que guarda os restos mortais de Santo Henrique. Foi uma oração pessoal, profunda e entranhável... no final todas passámos pela arqueta e beijamo-la. Que emoção! Padre desde esse céu encantador...

A Irmã Giselle orientou a reflexão sobre o modo de proceder na aplicação dos artigos 26,101 e 102 do Diretório, sobre as vogais ao capítulo provincial, processo capitular e modificação de regulamentos e Folhas de pessoal.

Da parte de tarde a Equipa Geral apresentou em traços gerais o seu plano: a Irmã Asunción Codes falou-nos do plano de GOVERNO, em mesa partilhada para a missão, tomando como temas mais importantes os referentes a pessoas, setores e missão. Sentindo-se "comunidade em itinerância", organizando-se por zonas e âmbitos de missão, conhecendo e reconhecendo a diversidade como uma riqueza.

A Irmã Teresa Casado falou-nos de ECONOMIA, da função da Ecónoma e Equipa: Velar pelo património, refletir sobre situações económicas, analisar as informações das províncias e administrar os bens. A Irmã Ángeles Muñiz faz o enlace com o Governo geral com a assessoria de um financeiro, com uma contabilista leiga e com a equipa formada pelas Irmãs: Nina Bosch, Felisbela Valente, Isabel González y Josefina de la Mora.

As Irmãs Giselle e Florentina falaram-nos da orientação da FORMAÇÃO: Acompanhar a vida e a missão das irmãs e comunidades em mesa partilhada. Do CIT e do TER, responsabilizar-se-ão as Irmãs Florentina e Raquel Navarro.

Sobre a EDUCAÇÃO falaram-nos as Irmãs Cristina Martínez e Maria Ángeles . Apresentaram-nos a missão educativa como o modo concreto de evangelizar, em família teresiana. Conceber o presente e o futuro da missão teresiana: educação escolar e presenças alternativas.

Houve depois um tempo para reunirmos por setores seguido de uma sessão plenária a fim de fazermos a avaliação final do encontro.

Encerrámos o encontro com umas palavras de Asunción Codes tão estimulantes como as iniciais. Agradeceu ao Senhor, tudo o que tínhamos vivido, alegria do dom da escuta e da partilha, apelo a não temer, porque estamos a viver um tempo novo, a unir os nossos caudais para viver juntas a missão da Europa, como comunidades de discípulas que se apoiam na busca do essencial, dispostas a fazer e a dizer como Teresa de Jesus "Olhe eu pelas suas coisas e Ele pelas minhas..." Agradeceu a passagem das pessoas que nos enriqueceram com as suas palavras, entusiasmo e experiência. O acolhimento e os detalhes da Província de Santa Teresa.

Comunicou ainda que sentiu como sinal do Espírito o nosso desejo de avançar por um caminho conjunto a um projeto de missão. Proporcionar meios de comunicação de forma a implicar todas as irmãs – uma dádiva para a nossa debilidade – sem deixar lugares vazios na nossa mesa. Agradecemos o ser Companhia e recordámos e agradecemos ao homem que a gerou, cuidou e a fez crescer.

De seguida ofereceu-nos como recordação, um postal de Jesus a tirar o manto e a colocar uma toalha à cintura numa atitude de serviço. Não pôde encontrar um simbolismo melhor para o momento... Terminou dizendo: "Que o Senhor nos acompanhe".

Terminámos o encontro com a Eucaristia de ação de graças e um jantar de confraternização com as duas comunidades que se encontram na "Casa do Padre".